terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Capítulo 2


Sophia se apressou em meio à multidão que começava a se formar nos corredores, pois o sinal das aulas já havia tocado e todos se dirigiam às suas próximas aulas. Menos ela, é claro. Hoje ela seria premiada com duas horas a menos no inferno que muitos chamavam de escola, e iria tomar um bom café quente com um "estranho-conhecido".
Depois de cinco minutos de caminhada, ela chegou em seu armário - no. 8123- e girou o cadeado algumas cinco vezes até que a senha 3113 se formasse. Sophia tinha uma estranha fixação por números, e isso explicava o fato de ela ser tão boa em matemática, o que fazia ela ser ainda mais diferente da maioria das pessoas de sua escola, e aumentava ainda mais sua certeza de que seu lugar não era ali.
Pegou o básico em seu armário - seu moleskine e o cardigã amarelo - e guardou seus livros, os quais preferia atear fogo. Verificou seu celular pra ver se havia alguma mensagem. Uma de sua mãe, avisando que chegaria em casa mais tarde. A oportunidade perfeita pra ficar na rua até mais tarde.
Chegando ao estacionamento, se deparou com Caíque encostado na lateral do carro, absorto em algum livro. Charmoso.
- Ah, aí está você! -  disse ele, fechando o livro e olhando para ela - Se perdeu e acabou tomando chá no País das Maravilhas, Alice?!
- Ha-ha. Bela piada. - Sophia respondeu com amargura - Sinto informar, mas eu ainda prefiro um bom café no mundo real, mas sem ignorar o fato de estar no companhia de um completo maluco que convida desconhecidos pra dar um volta. Pode me explicar por que você fez isso?
Caíque olhou para a garota com um olhar de surpresa. Uma de suas sobrancelhas estava levemente levantada, e um sorriso de canto mostrava que acabava de ser desafiado, de certa forma.
- Olha, eu posso até explicar, mas se nós continuarmos congelando nesse frio que tá aqui fora, não vou ter a oportunidade - Caíque soava galanteador, ao mesmo tempo que abria a porta do carro para que Sophia entrasse. Ela aproveitou a deixa, e fez uma leve referência, com toda a meiguisse possível, e depois entrou no carro.
Após os dois se acomodarem, Caíque olhou para a cara de Sophia, e começou a rir, e em poucos segundos, os dois não conseguiam se controlar, rindo de algo que nenhum dos dois sabia.
A cafeteria ficava à apenas cinco quadras dali, mas Sophia mesmo assim ligou o rádio, pois a música a completava de uma maneira incrível. Bom, nem todas. No rádio do carro estava tocando algo que parecia sair de um algum seriado infantil. Ela olhou pra ele incrédula:
-Sério mesmo que você costuma ouvir esse tipo de música?! E eu achando que você tinha bom gosto.
O rosto de Caíque corou.
- Na verdade, minha irmãzinha que gosta! É sério! Ontem eu tive que levá-la ao dentista, então...
Sophia riu. Não ia cair naquela desculpa.
- Ah, claro, muito fofo da sua parte. - disse ela sarcasticamente.
Depois de mais alguns minutos de conversa, ele finalmente chegaram à cafeteria. Estava vazia, o quê facilitava a conversa. Depois de Sophia e Caíque pedirem respectivamente um frappuccino de chocolate, um café grande com creme, e uma grande porção de brownies de chocolate com nozes, os dois se dirigiram  à um banco um pouco escondido do estabelecimento, longe da vista de quem passasse na rua.
- Então, quer me contar por quê você estava chorando hoje mais cedo? - ele perguntou antes de bebericar seu café.
- Ah, meu caro. Decepções da vida. Você conhece o Lucas, não?
- Conheço, meu parceiro na aula de espanhol.
- Bom, seu parceiro é um filho da puta. - ela completou - Nós estávamos ficando já faziam alguns meses, e eu realmente estava me apaixonando... e eu pensava que nós podíamos ter algo sério... até que...
- O quê ele fez? - perguntou Caíque, curioso.
- Bom, isso é muito constrangedor. - ela corou. Lágrimas brotavam em seus olhos - Eu peguei ele com uma tal de Carolinie, do primeiro ano. Juntos. No vestiário masculino.
Caíque estava incrédulo.
- Cara, mas que porra você tava fazendo no vestiário masculino?! - pelo jeito, estava incrédulo com a coisa errada. Ele gargalhava.
- Vai se foder, na boa! - agora quem estava incrédula, era Sophia.
- Não, desculpa. Mas um cara que faz isso com você não merece suas lágrimas. - Caíque a consolou.
Sophia agora estava sensibilizada.
- É... mas eu só preciso de um tempo... e de mais café, porque esse tava muito bom. - ela riu.
- Deixa que dessa vez é por minha conta.
A conversa fluía como se fossem amigos há séculos, não à apenas algumas horas.
- Ei, você esqueceu de me contar porque o seu dia não foi muito bom. - Sophia recordou Caíque.
- Bom... e estranho falar disso com você. Mas é que as coisas com a Luísa não vão muito bem... ela é muito grude.
- Puxa, eu sinto muito. Mas sabe, faz algum tempinho que a gente não se fala... - ela corou.
- Bom, se é assim...
Depois disso, os dois ficaram conversando sobre como suas vidas amorosas eram realmente desastrosas. Tinham mais em comum do quê jamais imaginaram.
O tempo passava, copos de café se esvaziavam e os dois continuavam absortos numa conversa muito animada. Os risos eram involuntários, e mesmo amando toda a situação, os dois se odiavam no fundo por não terem se conhecido antes, e por agora estarem gostando tanto de estar juntos.



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