- Caíque, será que você podia me dar uma carona pra casa? É que eu esqueci de avisar a minha mãe que eu ia chegar mais tarde, mas já está até escurecendo.
Sophia e Caíque passaram o dia inteiro juntos. Depois de tomarem café, foram à um pequeno cinema que havia na cidade. A única diferença, era o fato de só serem exibidos filmes franceses, daqueles bem antigos... outro fator comum entre os dois. O tempo havia passado rápido, e realmente, já estava escurecendo.
- Nossa, é verdade! Desculpa ter tomado todo o seu dia, eu nem sabia se você tinha outros planos... - Caíque se desculpou.
- Olha, se eu não quisesse, eu juro que não estaria aqui! - Sophia se impôs - Sua companhia foi muito agradável, de verdade.
Os dois sorriram.
No caminho à casa de Sophia, o silêncio dominava carro. Talvez porque não tivessem mais assunto, pois todos foram gastos com horas ininterruptas de conversa. Mas não... eles tinham uma química. O assunto simplesmente surgia. A verdadeira razão do silêncio, eram os sentimentos de culpa. Ambos sabiam que o quê estavam fazendo era errado com Luísa. Era algum tipo de traição.
"Mas não tem nada de errado..." - Caíque repetia em sua mente - "Quer dizer, eu estou fazendo um favor pra Luísa, não era ela que sempre reclamava que eu não me socializava com as suas amigas... "
"Meu Deus, o quê eu vou fazer?! A Luísa vai me matar se ela souber. Cara, eu tô fudida! Não, mas ela não vai saber, ela não pode!" - Sophia estava a ponto de ter um ataque de nervos.
- Ãhnn... Caíque, será que você podia parar naquela farmácia? Eu precisava comprar um remédio pra dor de cabeça...
Caíque encostou o carro e Sophia desceu. Enquanto ela estava dentro da farmácia, ele ligaria para Luísa, afinal, já somavam três ligações perdidas.
Dentro da farmácia, após pegar a cartela do remédio e se dirigir ao caixa, Sophia teve uma surpresa um pouco desagradável. Lucas. Ela tentou disfarçar, e simplesmente seguir o seu caminho... quem dera fosse tão fácil.
- Aahh... olha quem está aí - disse Lucas em um tão sarcástico, olhando diretamente pra Sophia - Acho que só esse remedinho não vai curar a sua dor de cabeça. Quer que eu passe mais tarde na sua casa?
Lucas era ridículo, na havia como negar. Mas também não se deve ignorar o fato de que era um dos garotos mais bonitos de todo o colégio St. Judes. Era alto, tinha músculos definidos, e olhos verdes cor de cristalino. Os cabelos levemente espetados, o que reforçava o fato de que ele passava horas se arrumando, mesmo tentando deixar um ar de que não ligava - certo ar que Caíque tinha naturalmente, com seus cabelos castanhos e levemente ondulados.
Sophia reparou que a cestinha que Lucas carregava estava cheia de camisinhas. Lógico, ela poderia ficar mais constrangida e se sentir mais humilhada do que já se sentia? Não podia deixar barato, e fez com que um comentário levemente provocador escapasse;
- Olha Lucas, se eu fosse você, não perdia meu tempo aqui. Corre logo, porque é capaz da Carolinie cansar de você, e escolher outro pra dar. - Sophia havia recolhido todas as forças que lhe restavam com esse comentário. Se continuasse ali, choraria na frente do idiota, e ela poderia passar sem essa. Simplesmente virou as costas e saiu correndo em direção ao estacionamento. Quando achou que finalmente estava livre de Lucas, e já tinha avistado o carro de Caíque, sentiu algo agarrando seu braço. Era Lucas a puxando pra trás.
- Sophia, para de frescura, e me beija! Eu sei que você quer. - ele falava enquanto apertava com cada vez mais força a braço dela.
- Lucas, me larga, por favor! Tá machucando! - Sophia gritava e agora, chorava - Por favor!
De dentro do carro, Caíque ouviu os gritos de Sophia, e percebeu que alguma coisa estava errada.
- Lu, eu preciso desligar o telefone, tá acontecendo alguma coisa aqui! - ele nem esperou ela responder, e desligou o telefone. Não disse que a amava, como sempre fazia antes de desligar o telefone.
Saiu correndo do carro em direção ao tumulto. Conseguiu tirar Sophia dos braços de Lucas, o quê deixou o rapaz ainda mais irritado.
- Cara, sai daqui! Isso não é da sua conta! - gritou Lucas para Caíque - Você tem a sua namorada pra cuidar, deixa que Sophia, eu cuido.
- A Sophia agora é minha responsabilidade, e você não vai mais encostar nenhum único dedo nela. - após terminar, Caíque reforçou sua ameaça com um soco na cara de Lucas.
- Meu, desculpa ter te envolvido numa situação dessas ... - Sophia se desculpava sem motivo.
- Soph, eu vou cuidar de você agora. Vem, eu vou te levar pra casa. Você precisa descansar, foi um longo dia. - disse Caíque enquanto conduzia Sophia pela cintura em direção ao carro.
Durante todo o caminho os dois permaneceram em silêncio, até que pararam em frente ao seu destino.
- Caíque, obrigada mesmo, por tudo que você fez por mim hoje. Sério como é que eu posso te agradecer?
Caíque demorou a responder até que:
- Você pode tentar. - após dizer isso, ele foi se aproximando lentamente até seu lábios encostaram a de Sophia. Foi um beijo longo, doce, e proibido.
- Eu preciso ir - Sophia se afastou enquanto abria a porta do carro.
Saiu correndo em direção à porta, mas antes de entrar, deu uma última olhada pra trás. Pegou seu celular, e digitou uma mensagem.
Dentro do carro, Caíque ainda estava incrédulo com sua atitude, mas ele ainda queria mais. Saiu de seu momentâneo transe com o sinal de mensagem em seu celular. Era de Sophia, o número recentemente adicionado aos seus contatos favoritos. A mensagem era simples, mas valeu por uma noite inteira com pensamentos na garota.
"Gostei demais do dia de hoje. Quero que aconteça mais vezes. Incluindo a última parte."
Quando Caíque olhou para trás, Sophia não estava mais lá.

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