"Continua correndo e não olha pra trás" - Sophia corria repetia pra si mesma em sua mente enquanto corria o mais rápido que podia. Corria tão rápido que o único som que era capaz de ouvir era o do vento zumbindo em seus ouvidos. Era o único que ela podia ouvir, mas sabia que ao seu redor ecoavam gritos chamando seu nome. Era Lucas, o motivo de seu desespero para encontrar um lugar vazio e silencioso no meio do tumulto daquela escola - o quê era quase impossível.
Depois de muito correr, e chorar, a ponto de ficar quase sem lágrimas, Sophia decidiu ir para a quadra. Era horário da ginástica dos meninos do mesmo ano que o dela, os quais ela preferia ignorar, pois eram todos cafajestes. Parece que sua tática funcionava, pois todos agiam como se ela fosse invisível. Bom, talvez ela realmente fosse.
Era um ginásio amplo, um pouco distante do resto da escola, onde ficavam as salas de aula e o pátio. Era barulhento, ainda mais por causa do eco proporcionado pelo piso de madeira. Os meninos estavam jogando futebol, e a vista era um tanto quanto agradável, se você não estivesse tão traumatizada em relação aos garotos quanto ela.
Sophia precisava esquecer do mundo, pelo menos por alguns minutos. Nessas situações, alguns ligariam o foda-se. Ela não. Ela ligava The Maine.
Estava sentada no último degrau da arquibancada, longe da vista de todos, e com o ipod ligado no último volume. Seria melhor se o ambiente fosse um pouco mais parecido com o seu quarto, mas era só uma sugestão. A ideia de passar 6 horas por dia em um lugar completamente desprezível como a sua escola era aterrorizadora.
Mergulhada em seus pensamentos, e com lágrimas escorrendo involuntariamente de seu rosto, Sophia saiu de seu transe com um cutucão em suas costelas. Doeu um pouco, mas ela resolveu ignorar o fato depois de perceber que era Caíque, o namorado de Luísa - sua melhor amiga.
- Hey, você é a Sophia, né?! Aquela que tá sempre com a Luísa. - Era incrível o fato de ela não a realmente conhecer.
- Eu mesma. Mas sabe, é um pouco embaraçoso ser reconhecida assim. Uma identidade baseada na de outra pessoa. - Às vezes ela esquecia de medir suas palavras de acordo com quem falava - Ai, desculpa a grosseria, de verdade. É que o dia não tá sendo muito bom, sabe? Sinto muito ter descontado em você, Caíque.
O garoto agora tinha uma expressão solidária em seu rosto; - Ah, tudo bem. Eu devia ter percebido. Na verdade, eu estava jogando, mas eu vi que você estava um pouco abalada, quer conversar?!
A situação era um pouco estranha. O namorado da sua melhor amiga, o mesmo que nunca havia sequer notado que ela existia agora queria consolá-la. Bom, como dizia o ditado, "quem não tem cão, caça como gato".
- Muito gentil da sua parte, mas eu preferia que não fosse aqui. Não quero me expor mais do que já me expus. Além do mais, é uma longa história...
- Olha, pra falar a verdade, eu nem sei o quê eu ainda tô fazendo nessa escola. Meu dia também não foi lá essas coisas. Por que nós não fazemos o seguinte: você pega as suas coisas e me encontra no estacionamento em 10 minutos. Daí, nós vamos até o Starbucks, e nos lamentamos sobre nossos péssimos dias enquanto tomamos um bom frappuccino e comemos alguns brownies.Que tal?!

Um comentário:
Ok, isso ta MUITO fofo, e eu quero ler logo o proximo capitulo!!!!!!
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